Eco

Pensei bastante antes de pôr estas palavras no papel. Talvez esteja me abrindo demais para uma mera folha em branco, mas eu preciso confessar algumas poucas coisas.
Eu errei muito nessa vida. Quem nunca errou, afinal? Sou humana, tenho defeitos como qualquer outra pessoa.

Se errar é humano, posso errar quantas vezes eu quiser e usar esse bordão como desculpa? Não.
Palavras nunca conseguirão consertar aquilo que já aconteceu. Palavras não podem perdoar palavras, tampouco se sobrepor às atitudes. Elas são apenas isso: letras conjuntas com um significado. Mas o real valor está nas atitudes que provam a significância do que foi dito.

Meus atos não tem valor algum. Se pudéssemos vender atitudes, as minhas certamente iriam parar em uma loja de um e noventa e nove.
Não me orgulho disso. Claro que não. O problema é exatamente esse: eu simplesmente não pensei a respeito. Agi no impulso do momento. Agi por que quis e nem pensei na reação que minha ação ocasionaria. Pequenos erros, grandes consequências.

Não me orgulho do que sou atualmente. Não me orgulho do que me tornei. E sei que, no futuro, não me orgulharei do que fui hoje.
Perdi grandes amigos, ganhei alguns olhares de desgosto, fui criticada e ignorei alguns amores para crer na atuação de outras pessoas.
Se houvesse a opção de voltar no tempo, eu sei que faria tudo igual. Sei disso. Na época, não tinha maturidade ou vivência para me dar conta de que estava a ponto de cometer um erro.

Mas me dei conta de que preciso mudar. Sinto como se tivesse acabado de acordar. Ainda estou meio sonolenta e quero voltar a dormir novamente, pois o sono é grande, mas tentarei lutar contra ele.
Meu sono é, obviamente, uma singela metáfora que achei adequada para o momento.
É que eu me sinto vazia e dormir ajuda. Outras coisas também e, por isso, fiz uso de alguns artifícios já conhecidos para tentar preencher esse vazio existencial que acabou surgindo em mim e que cada vez mais só se propaga pelo meu ser.
O medo ajudou bastante nisso. Ele não só é a pior das sensações, mas me fez cometer erros também. Me afastou de coisas boas e me aproximou de alguns desastres. Físicos, emocionais, psicológicos… Eu me tornei um desastre natural, mas eu mesma me moldei para isso. Medo: ele sim deve ser temido, mas não para se submeter a seus desejos, mas para ser notado; é preciso notar o medo e senti-lo antes de superá-lo.
Eu tenho não só um, mas vários medos dentro de mim. Não sei como superá-los. Estou em uma guerra, há um conflito interno acontecendo dentro de mim e ninguém nota. Talvez por que eu projetei uma imagem totalmente equivocada do que sou para os outros observarem enquanto estou lutando.
E eu estou lutando. Luto todos os dias. Contra o medo, contra as consequências dos meus erros, contra esse vazio que há em mim e contra eu mesma.

Sabe quando há uma sala vazia e algum barulho surge, formando um eco? É tipo isso. Esse vazio faz com que meus pensamentos ecoem na minha cabeça. E, diga-se de passagem, não são pensamentos agradáveis. Quisera eu pensar em um jardim encantado com flores, amores e sorrisos por toda parte.

Não sei como posso terminar esse texto. Se eu fosse escrever tudo o que passa pela minha cabeça, ele terminaria sem pontos, vírgulas ou sequer um ponto final. Acabaria com a minha morte, que como tantas outras coisas, consegue ser imprevisível. Seria como começar a escrever uma frase e não conseguir termin

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