Profundidades

A cada minuto que se passa, consigo conviver melhor com a ideia de não ter você comigo.
A cada instante, respiro com mais tranquilidade também.

Por que você era tudo, menos tranquilidade. Eu era o domingo de chuva enquanto você era o sábado à noite. Eu era o chá da tarde e você aquele churrasco de sábado. Respirar com tranquilidade, perto de você? Fora de cogitação. Se existia alguém nesse mundo capaz de me roubar o fôlego em questão de segundos, certamente era você.

E se existia alguém que poderia consertar qualquer trinco no meu coração partido, eu sabia que só poderia ser você. A ironia da história é que, além de ter o poder de consertá-lo, também poderia parti-lo.

Eu era uma muralha impenetrável e você um livro aberto. Desse livro, percebi com o tempo, saiu um jovem rapaz, pronto para atravessar essa muralha que me rodeava.

Infelizmente, não consegui ser aquilo que você queria que eu fosse. Nenhum dos dois abdicou do que tinha, apenas experimentou do que foi apresentado e acho que mereço uma grande parte dessa culpa. Não consegui me abrir como deveria ter feito e tornei o que tínhamos em um jogo de poder, onde aquele que cedia primeiro tornava-se o mais vulnerável. Não deixei você me atravessar na profundidade que você queria, apenas deixei-o mapear minhas superfícies. E um relacionamento não se faz com superficialidades, mas com profundidades.

A cada minuto que se passa, consigo conviver melhor com a ideia de não ter você comigo.
A cada instante, convivo melhor com essa dor também.

Por que você era coragem e eu só fui covarde.

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