Profundidades

A cada minuto que se passa, consigo conviver melhor com a ideia de não ter você comigo.
A cada instante, respiro com mais tranquilidade também.

Por que você era tudo, menos tranquilidade. Eu era o domingo de chuva enquanto você era o sábado à noite. Eu era o chá da tarde e você aquele churrasco de sábado. Respirar com tranquilidade, perto de você? Fora de cogitação. Se existia alguém nesse mundo capaz de me roubar o fôlego em questão de segundos, certamente era você.

E se existia alguém que poderia consertar qualquer trinco no meu coração partido, eu sabia que só poderia ser você. A ironia da história é que, além de ter o poder de consertá-lo, também poderia parti-lo.

Eu era uma muralha impenetrável e você um livro aberto. Desse livro, percebi com o tempo, saiu um jovem rapaz, pronto para atravessar essa muralha que me rodeava.

Infelizmente, não consegui ser aquilo que você queria que eu fosse. Nenhum dos dois abdicou do que tinha, apenas experimentou do que foi apresentado e acho que mereço uma grande parte dessa culpa. Não consegui me abrir como deveria ter feito e tornei o que tínhamos em um jogo de poder, onde aquele que cedia primeiro tornava-se o mais vulnerável. Não deixei você me atravessar na profundidade que você queria, apenas deixei-o mapear minhas superfícies. E um relacionamento não se faz com superficialidades, mas com profundidades.

A cada minuto que se passa, consigo conviver melhor com a ideia de não ter você comigo.
A cada instante, convivo melhor com essa dor também.

Por que você era coragem e eu só fui covarde.

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Profundidades

Quando percebi que não era mais amor

Posso contar nos dedos quantas vezes brigamos de verdade. Não éramos esse tipo de casal, nunca fomos de ter brigas frequentes e sempre nos resolvíamos no diálogo.

Aliás, essa era uma das minhas coisas favoritas na gente. Nós conversávamos. Eu sentia que não era só uma troca de palavras, mas de pensamentos e vivências. E eu sentia que você se importava em me ouvir, assim como eu me prestava a fazê-lo também.

Posso dizer que a gente se amou muito. Eu te amei muito. Mas nem sempre o amor dura para sempre. As vezes ele só dura o suficiente para ser sempre lembrado.

Quando eu percebi que não era mais amor, senti falta da mensagem de “bom dia” que você me mandava todos os dias. Senti falta de você me perguntar, pela noite, como havia sido meu dia. Não sei ao certo quando você começou a esquecer de me desejar um bom dia ou de se preocupar em saber, ao fim dele, se de fato ele havia sido bom. Acho que você foi parando e se esquecendo aos poucos.’

Quando eu percebi que não era mais amor, o “bom dia” foi substituído por “boa noite”, encerrando uma conversa para ir dormir, ao invés de continuar conversando até um dos dois cair no sono. Percebi que a gente estava ocupado demais durante a semana para se ver e não se via mesmo. A gente começou a “deixar para a próxima” o que antes era inadiável.

Mas nem sempre o amor dura para sempre. As vezes ele só dura o suficiente para ser sempre lembrado.

Então me despeço, sabendo que o amor que existia entre nós já se despediu primeiro.

Boa noite, ex-amor.

Quando percebi que não era mais amor

A Prática é Outra

Acho que depois de um tempo a gente acaba percebendo. Percebendo o que é bom, o que é ruim, o que vale a pena e o que pode ser deixado de lado.
Acho que uma hora a gente percebe.

Não tenho noção nenhuma sobre o verdadeiro sentido da vida, não possuo uma visão concreta de mundo e não tenho maturidade suficiente para pensar a respeito de certas questões, mas acho que se tentássemos enxergar pelo menos um pouquinho, veríamos mais coisas do que poderíamos ser capazes de imaginar.
Acho que andamos por aí meio cegos. De olhos abertos, mas sem enxergar. Muitas pessoas só veem aquilo que lhes é mostrado. Uma mesa, uma cadeira, um carro, uma casa… Tudo tão concreto.
Acho que a vida nos dá a oportunidade de ver além. Perceber além do que é mostrado.
E aprender com a vida talvez não seja fácil, mas certamente vale a pena.

Veja bem, não sou uma otimista. Tampouco uma idealizadora. Estou longe de ser um exemplo a ser seguido e nem o quero. Mas, pra mim, esse é o sentido da vida.
Poder escrever, dar forma aos sentimentos; procurar e encontrar a felicidade nas mínimas coisas; ter a humildade de aceitar aquilo que conquistou ou que a vida lhe presenteou.
Eu almejo viver desta forma. Eu tento e sei que, muitas vezes, acabo saindo da minha própria linha de pensamento e tomando um rumo diferente.
Mas se é pra ficar neste mundo e realmente vivê-lo, quero buscar a felicidade.
Uma vida confortável, para mim, é diferente de uma vida com muito dinheiro. Assim como ter muitas pessoas ao seu redor não significa que você tenha muitos amigos.

É tudo tão lindo na teoria, tão perfeito. Eu posso não conseguir ser feliz todos os vidas, mas, todos os dias, tentarei ser feliz.
E ouvi dizer que o primeiro passo para se conseguir algo, é querer consegui-lo.
E eu quero.

A Prática é Outra

Eco

Pensei bastante antes de pôr estas palavras no papel. Talvez esteja me abrindo demais para uma mera folha em branco, mas eu preciso confessar algumas poucas coisas.
Eu errei muito nessa vida. Quem nunca errou, afinal? Sou humana, tenho defeitos como qualquer outra pessoa.

Se errar é humano, posso errar quantas vezes eu quiser e usar esse bordão como desculpa? Não.
Palavras nunca conseguirão consertar aquilo que já aconteceu. Palavras não podem perdoar palavras, tampouco se sobrepor às atitudes. Elas são apenas isso: letras conjuntas com um significado. Mas o real valor está nas atitudes que provam a significância do que foi dito.

Meus atos não tem valor algum. Se pudéssemos vender atitudes, as minhas certamente iriam parar em uma loja de um e noventa e nove.
Não me orgulho disso. Claro que não. O problema é exatamente esse: eu simplesmente não pensei a respeito. Agi no impulso do momento. Agi por que quis e nem pensei na reação que minha ação ocasionaria. Pequenos erros, grandes consequências.

Não me orgulho do que sou atualmente. Não me orgulho do que me tornei. E sei que, no futuro, não me orgulharei do que fui hoje.
Perdi grandes amigos, ganhei alguns olhares de desgosto, fui criticada e ignorei alguns amores para crer na atuação de outras pessoas.
Se houvesse a opção de voltar no tempo, eu sei que faria tudo igual. Sei disso. Na época, não tinha maturidade ou vivência para me dar conta de que estava a ponto de cometer um erro.

Mas me dei conta de que preciso mudar. Sinto como se tivesse acabado de acordar. Ainda estou meio sonolenta e quero voltar a dormir novamente, pois o sono é grande, mas tentarei lutar contra ele.
Meu sono é, obviamente, uma singela metáfora que achei adequada para o momento.
É que eu me sinto vazia e dormir ajuda. Outras coisas também e, por isso, fiz uso de alguns artifícios já conhecidos para tentar preencher esse vazio existencial que acabou surgindo em mim e que cada vez mais só se propaga pelo meu ser.
O medo ajudou bastante nisso. Ele não só é a pior das sensações, mas me fez cometer erros também. Me afastou de coisas boas e me aproximou de alguns desastres. Físicos, emocionais, psicológicos… Eu me tornei um desastre natural, mas eu mesma me moldei para isso. Medo: ele sim deve ser temido, mas não para se submeter a seus desejos, mas para ser notado; é preciso notar o medo e senti-lo antes de superá-lo.
Eu tenho não só um, mas vários medos dentro de mim. Não sei como superá-los. Estou em uma guerra, há um conflito interno acontecendo dentro de mim e ninguém nota. Talvez por que eu projetei uma imagem totalmente equivocada do que sou para os outros observarem enquanto estou lutando.
E eu estou lutando. Luto todos os dias. Contra o medo, contra as consequências dos meus erros, contra esse vazio que há em mim e contra eu mesma.

Sabe quando há uma sala vazia e algum barulho surge, formando um eco? É tipo isso. Esse vazio faz com que meus pensamentos ecoem na minha cabeça. E, diga-se de passagem, não são pensamentos agradáveis. Quisera eu pensar em um jardim encantado com flores, amores e sorrisos por toda parte.

Não sei como posso terminar esse texto. Se eu fosse escrever tudo o que passa pela minha cabeça, ele terminaria sem pontos, vírgulas ou sequer um ponto final. Acabaria com a minha morte, que como tantas outras coisas, consegue ser imprevisível. Seria como começar a escrever uma frase e não conseguir termin

Eco

Bem Me Quer, Mal Me Quer

Você me fez tão mal.
Você me fez tão bem.

Acho que o principal é que você me fez perceber como é gostar de alguém.
E o pior é que você me fez conhecer o sentimento de perder também.

Se eu pudesse voltar no tempo, o que eu faria?
Agradeceria.
Mudaria.
Tentaria.
Ficaria?

Acho que quando é pra ser, é.
E quando não é pra ser, não é.
Simples assim. Fácil feito miojo. Porém complicado, enrolado também.

Pena que pra superar não dura três minutos. Ia me fazer tão bem!

Você me fez tão mal.
Mas você não foi mau.
Só foi errado, muito errado.
Ou talvez fosse o certo, antes de eu ter mudado.

Você me fez tão bem.
E você foi bom, antes de me fazer tão mal.
Ou talvez tenha sido bom o tempo todo
E talvez eu é quem tenha mudado.

Então:
Você é o culpado do que aconteceu ou só aconteceu por que eu aconteci?
É que eu aconteci. Sabe?
Eu me encontrei quando te perdi.

Bem Me Quer, Mal Me Quer

Amor Próprio

Estou me afogando nas minhas próprias lágrimas. Meu pranto formou um mar infinito de sentimentos que refletem a minha desgraça. Mergulhei fundo na minha infelicidade, saltei de cabeça nesse mar de angústias e incertezas, formado por cada gota de lágrima de cada noite mal dormida.
Estou me afogando nas minhas próprias escolhas.
Aceitei o escorrer das lágrimas pela minha bochecha como se fossem parte de mim.
Estou me afogando em um mar de sentimentos que não são verdadeiramente meus. Aliás, sentimento nenhum é. Eles nos rodeiam e nós escolhemos o que mais nos satisfaz no momento. E então o sentimento nos escolhe. Ele toma conta dos nossos corpos como se fossem um pedaço de nossas almas.
Estou me afogando nas minhas próprias lágrimas, controladas pela infelicidade que me possui. Me afogo nas minhas próprias escolhas.
Ergo a mão para o alto, meu último gesto de luta antes da desistência. Não por ser fraca, mas por estar cansada.
Sentimentos me rodeiam. Escolho a felicidade, que me segura com um sorriso sempre otimista estampado no rosto. E eu a escolhi na esperança de ser dominada.
A felicidade, então, se choca contra a tristeza, causando uma explosão. Sinto-me presenciando uma paródia do big bang. De uma explosão, algo se formou: o amor.
Quer sentimento mais bipolar que este?
Estou dominada, sã e salva na superfície.
Estava me afogando em um mar de lágrimas e hoje nado em um oceano de sentimentos.

Amor Próprio

Felicidade Fragmentada

Em certos momentos do dia, pego-me pensando em você. Depois de ocupar minha mente com tantas distrações, alguns instantes bastam para esvaziar minha mente de tudo para preenchê-la logo em seguida. Enchê-la de pensamentos originados de uma única vertente: você.
E é só isso que me resta. Lembrar, lembrar, lembrar. E são tantas lembranças…
Mas, às vezes, só isso não me basta. Preciso sentir o toque de sua mão no meu cabelo, acariciando-o enquanto me diz que tudo vai ficar bem. Preciso ouvir o som da sua risada após me contar uma piada sem graça, numa tentativa falha de melhorar meu mau humor matinal. Preciso abraça-lo e ouvi-lo falar que sou sua pequenina, mesmo que só pela altura que não herdei de você.
E é com isso que eu vivo. Eu lido com a saudade que me consome pouco a pouco. Uso e abuso de lembranças, para ocupar os mínimos espaços da minha mente, que se põe em repetidos questionamentos que eu nunca saberei a resposta. Fui o que você esperava que eu fosse? Você sentia orgulho de mim, apesar dos meus defeitos serem tão aparentes?
Gosto de pensar que sim.
Em certos momentos do dia, pego-me fazendo uma lista de coisas das quais me orgulho e das quais mais me arrependo. Você está no topo das duas.
Se eu pudesse fazer diferente, faria. Mas não mudaria muita coisa, pois quase tudo que eu vivi foi completo. Alteraria somente as conversas interrompidas, os momentos que ficaram pela metade.
Imaginar essas coisas me bastam por alguns instantes, antes de ocupar meus pensamentos com novas distrações.

Felicidade Fragmentada